domingo, agosto 08, 2010

Dia dos Pais

Dia dos Pais, versão 2010... há 13 anos que o meu não está mais neste plano. Mas continua vivinho da silva em meus pensamentos e minhas atitudes. Representa o caráter e dignidade de gente simples e honesta. Nunca deixou de trabalhar quando esteve entre nós. Estudou até a 4ª série. Nasceu para o comércio, inclusive, com a matemática do 'boteco' na ponta do lápis fazendo qualquer PHD dos números arregalar os olhos, espantado. Eu mesmo aprendi a matemática dessa maneira. Viram só? O velho já fazia Educação Contextualizada nesse tempo, rs.

Morávamos em Mauá-SP e o convívio de crianças com a rua (ainda característico nos sertões) era praticamente zero. O universo se dava na escola ou em casa. Lembro-me, como se fosse agora à pouco, das tardes de videogame Atari. O velho facilitava minha vitória nos duelos. Dominó, baralho, damas, banco imobiliário, cassino, pipa, peão, bola de gude... são tantas as lembranças.

Dono de um fino gosto musical, Seu Zequinha representa o mais nobre imaginário e cultura de nossa gente. Conheci o mundo do samba (verdadeiro, honesto - não aquela porcaria de pagode de plástico) por sua influência, de onde guardo lembranças da fita k7 rolando no deck do rádio gravador que até hoje mantemos em plena atividade, em casa. Era de Demônios da Garoa pra lá. Momentos que me são muito caros.

Não poderia também deixar de congratular, nesse dia, minha mãe, D. Toinha. Há 13 anos que recebeu as atribuições de pai, além de ser a melhor mãe do mundo. Dedico aos dois tudo que de bom aconteceu comigo. Veio deles. Raízes são fundamentais.


A eles e a todos e todas... FELIZ DIA DOS PAIS! Eternas saudades do meu herói...

-x-

Meu Velho
Composição: (José / Piero – Vs. Nazareno de brito)
(Imortalizada na voz de Altemar Dutra)

É um bom tipo meu velho
Que anda só e carregando
Sua tristeza infinita
De tanto seguir andando

Eu o estudo desde longe
Porque somos diferentes
Ele cresceu com os tempos
Do respeito e dos mais crentes

Velho, meu querido velho
Agora caminha lento
Como perdoando o vento
Eu sou teu sangue meu velho
Teu silêncio e o teu tempo

Seus olhos são tão serenos
Sua figura é cansada
Pela idade foi vencido
Mas caminha sua estrada

Eu vivo os dias de hoje
Em ti o passado lembra
Só a dor e o sofrimento
Tem sua história sem tempo

Velho, meu querido velho
Agora caminha lento
Como perdoando o vento
Eu sou teu sangue meu velho
Teu silêncio e teu tempo

Velho, meu querido velho
Eu sou teu sangue meu velho
Teu silêncio e teu tempo
Velho, meu querido velho

-x-

Todo um filme me vem a cabeça quando ouço e vejo uma coisa dessa:


(lágrimas...)



sexta-feira, julho 30, 2010

Dorgas, Manolo!


Já que o assunto ultimamente (sempre!) vem sendo a ausência de lucidez do nativo da terrinha BR, reproduzo abaixo uma ácida crônica ao melhor estilo Veríssimo. No vasculho de meus empoeirados arquivos achei-o jogado num canto de pasta. Leia, releia, re-releia... quantas vezes for necessário, e, procure tornar nossa convivência social tupiniquim, digamos, mais agradável.

- x -

O USO DE DROGAS
(Luiz Fernando Veríssimo)


Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de experimenta, depois quando você quiser é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, uma coisa bem brasileira. Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "amigo" e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores... o Tchan, Companhia do Pagode e muito mais. Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes. Então, meu amigo me deu o que eu queria, um CD do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais... Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a Caras que tinha o Rodriguinho na capa. Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro. Meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra entrei para um grupo de pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma música que não dizia nada, eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a Coletânea "As melhores do Molejo". Foi terrível! Eu já não pensava mais!!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigres, MC Serginho, Lacraias, motinhas e tapinhas. Comecei a ter delírio e a dizer coisas sem sentido e quando saía à noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras... Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo. Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, Rock Progressivo e Blues. Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart, Beethoven e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante. Vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte: Não ligue a TV no domingo à tarde; Não entre em carros com adesivos "Fui....."; Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe e ou ao Domingo Legal do Gugu; Mulheres gritando histericamente são outro indício; Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa; Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados; Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil (triste colocação...), e... Não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.

A vida é bela! Eu sei que você consegue!
Diga não às drogas!

- x -

PS - Passeie com seu cérebro. Leia mais crônicas do cara: http://bit.ly/bMN5SV

terça-feira, julho 27, 2010

Waters & Gilmour: pra se entorpecer...

... ouvindo Pink Floyd...


Roger Waters e David Gilmour se constituem, para este humilde par de ouvidos, na melhor dupla de criação musical que vi (pelo menos em vídeo...), sem desmerecer os outros floyds (Richard Wright e Nick Mason), desfaçamos uma tremenda injustiça. O Waters possui um universo intelectual e espiritual atormentado, refletido em suas letras e sugestões de melodias. É neste último viés que entram os outros floyds, destacando o Gilmour. Eles protagonizaram a concretização em som de todo esse devaneio. Trazem, nesse processo, novos elementos, sobretudo melódicos.

Pronto. Cheguei onde queria. Os caras puseram LIMITES NO WATERS. Quer prova disso? Escute o disco The Wall, nesse aspecto, e veja se não difere dos anteriores. Nota: Nesse momento, o Waters havia tomado quase que total controle nas decisões da banda, inclusive as musicais. Se não se convenceu, escute o Final Cut (último disco da era Waters no Pink Floyd... depois mandaram ele 'dar descendo'...). Praticamente um disco solo do Waters, com os outros quase que somente acompanhandom (faltava-lhes apenas um crachá...). O disco é uma depressão completa. Fantástico, diga-se de passagem. Mas já não é mais o som floydiano a qual me referi no início. O som de Breath, Time, Dogs, Echoes, COMFORTABLY NUMB, etc. - esta última (anterior a eticetera), o ápice da agonia, no contexto dO MURO que construímos através dos tijolos que a vida moderna põe à nossa volta. TODO ESSE CONCEITO - DO WATERS, ALIADO À HARMONIA DOS ARRANJOS DE CORDAS - DO GILMOUR, COM OS SINTETIZADORES E PIANOS - DO WRIGHT, SOMADA A BATERIA SIMPLIFICADA E PERFEITA - DO MASON, FAZEM DESSA MÚSICA UM PRIMOR, UM ÁPICE DA MÚSICA POP (favor não confundir com outras definições de pop, como sendo somente uma batida eletrônica numa música dançante ou 'piegamente' romântica).

Mas, para isso se tem um preço. A fama, o dinheiro e o luxo evidenciam a fogueira das vaidades. Verdadeiras intrigas rondaram a relação interna da banda, principalmente entre os frontmans (Waters e Gilmor). Tais fatos levaram o Waters a 'sair' do Pink Floyd. Mesmo assim, passados mais de 20 anos, a banda reune-se pra tocar 4 músicas no Live 8 (evento beneficente organizado pelo Bob Gendolf - curiosamente o cara que fez o papel do protagonista do filme, feito do disco The Wall -, em 2005). Dava pra notar o ressentimento na cara do Gilmour, mesmo depois de tanto tempo, enquanto se via um Waters feliz igual a 'pinto em beira de cerca'. Cena hilária.

O fato é que agora, em 2010, o Waters estará em tournée pelo mundo apresentando o show "The Wall". E não é que o Gilmour fará participação especial (pelo menos num show só), tocando Comfortably Numb???


O que idade não fizer...



PS¹ - Vejam a notícia: http://vai.la/UKv

PS² - Meu Deus, como eu queria que isso viesse ao Brasil... Quem sabe?! Se rolar, OS AMIGOS E AS AMIGAS TERÃO UMA CASA A MAIS NO MERCADO IMOBILIÁRIO...


terça-feira, julho 13, 2010

Dia Mundial do Rock


Hoje (13/07) é comemorado o Dia Mundial do Rock. Que o exemplo de preocupação social do dia (essa data faz alusão ao evento Live Aid, evento realizado para angariar grana à ajuda humanitária à África), independentemente de politização, norteiem os roqueiros de alma. O Rock - assim como um punhado de muita coisa - não vai salvar o mundo (em alguns casos muito pelo contrário, hehe), mas representa a cultura de um mundo que, desde os anos 50, passou por profundas transformações de comportamento. Isso deve ser lembrado.

Uma característica deve ser anotada nesse momento de universalização total da cultura de massa, tratada como um mero produto embalado e posto na vitrine. Aliás, a vida como um todo... Nada de voltar ou querer ser igual a uma época. Não. Simplesmente é ressuscitar seu umbilical posicionamento acerca de tudo: REBELDE POR EXCELÊNCIA. Em qualquer aspecto da vida... Cada um é soberano pra decidir o que deve ou não ser transgredido. Essa é grande mensagem do Rock'n'Roll.

No mais, é ligar a vitrola e cair na gandaia que ninguém é de ferro.


Morreu Paulo Moura



(São José do Rio Preto, 15 de julho de 1932 - Rio de Janeiro, 12 de Julho de 2010)

O mundo da música de luto...

Pouca Vogal in João Pessoa


Caramba... Queria estar in Jampa, sexta última (09/07). Gostei do projeto Pouca Vogal desde o início. Acho um lado que o Gessinger ainda faltava explorar em sua carreira musical. Uma coisa sem banda (no sentido popular da palavra, com bateria e o 'escambau'), mais ligada a uma música de caráter mais intuitiva, com 'instrumentos leves', sem toda aquela parafernália estrutural de um evento. O próprio Roger Waters fala desse aspecto, no tocante àquela coisa monstruosa de estádios onde o artista, de certa forma, perde o contato com o público, que por sua vez se deslumbra com a mega-estrutura e perde as mensagens do trabalho artístico. Não que outros formatos de shows obrigatoriamente sejam diferentes, mas o formato 'light' (banquinho, violões, violas, guitarras acústicas, etc) propicia isso, pelo menos, mais intensamente. Uma coisa com cara de teatro, tendo uma característica peculiar: OS DOIS, o Gessinger e o Leindecker (líder da banda gaúcha Cidadão Quem, co-autor do Pouca Vogal), como eles mesmo dizem, EM POWER DUO, PREENCHENDO O SOM COM PERCUSSÃO E SINTETIZADOR, tocados com os pés - diga-se de passagem, JUNTO ÀS CORDAS E PIANO. O show conta com convidados. Nesse show foi o Carlos Maltz, ex-baterista dos Engenheiros do Hawaii e metaleiro, hoje com a cabeça virada em misticismo e congêneres.

Pra quem não conhece, esse é o Teatro Arena do Espaço Cultural, em João Pessoa, capital da terrinha.

Deve mesmo ter sido um dos melhores shows que não fui.


PS¹: Dêem uma sacada: http://www.youtube.com/watch?v=VG5AIBrqUUU

PS²: O nome "Pouca Vogal" é justamente em alusão à pouca quantidade de vogais (nos padrões latinos) nos nomes dos dois - GeSSiNGer e LeiNDeCKeR.

Deu Espanha...



Ganhou o melhor time. O melhor meio campo da Copa, pelo menos. Por questões de justiça, digamos que a final deveria ter sido entre Espanha e Alemanha. Mas como futebol não é justo, é jogo, e, nesse caso, tabela, essa "final" foi precoce, nas semifinais. Mas ficou em boas mãos o título. Como a Copa sempre influencia o futebol nos quatro anos seguintes, esperamos que a tendência do futebol jogado prevaleça sobre a tese da retranca, do futebol não jogado. A Espanha provou que a coisa funciona com toque de bola e objetividade na hora certa. Beleza. Ironicamente é uma forma similar ao tradicional futebol holandês.


E não é que o miserável do polvo acertou todos os palpites?



PS: E a Holanda continua sem 'tirar do dedo', hehehehe.



quinta-feira, julho 08, 2010

Enfim... Prestes ao fim...


Sem torcida nessa final. Como um amante do futebol, vou torcer pra que ganhe o melhor. Também não há o que se lamentar, chegou quem fez por merecer. A Alemanha jogou muito, mas na final só há espaço pra dois (obviamente...). A Espanha, que engrenou, e a Holanda (que não é o Carrossel, mesmo), aos trancos e barrancos, chegam fortes. E não haveria outra forma de ser. Se bem que até que não seria de todo ruim ver a Holanda não quebrar seu tabú histórico: "jogamos como nunca e perdemos como sempre..."

Está decidido. Vou de fúria. Pronto.


- x -

Na disputa pelo terceiro lugar, não hesito...



.. vou de celeste. Os caras honraram minhas calças latino-americanas, junto ao Paraguai (mesmo este último perdendo nas quartas). A única das quatro primeiras a qual tou torcendo firme.




PS - Espero não ser um azarão igual ao Mick Jagger... Putz, que cara 'zica'.

sexta-feira, julho 02, 2010

E foi-se o Hexa

Sinceramente... Estava convicto da nossa vitória. Fui trabalhar hoje cedo. Antes disso, já dava meu pitaco no placar. "É dois a zero e não quero nem conversa", exalava aos berros. Coloquei no Twitter, até. E o pior é que a coisa caminhava pra isso. A seleção fez, no primeiro tempo, a melhor partida dela na Copa. Meu placar já era pra estar em voga, no mínimo. Confiança não faltava a ninguém nas redondezas. Assisti na casa do Rubens com a galera. Todos/as estavam contagiados/as.

Bom... a estranheza começa já no apito inicial do segundo tempo. O Robinho veio do ataque pra defesa somente pra esculhambar aos berros um batavo caído. Aí veio o gol holandês daquela forma esquisitíssima, com falha do goleiro que quando vai à bola, chamo de 'bola de segurança'. Depois veio o segundo gol. Todos os jogadores da defesa parados. O ápice da insanidade foi a expulsão do Felipe Melo (que tecnicamente fazia uma boa partida dando uma belíssima assistência pro gol de matador feito pelo Robinho). Pra mim, foi aí que a casa caiu. O time perdidasso em campo. A Holanda que é um bom time (não acho essas coisas todas...) soube administrar. O resto é aquilo... E-l-i-m-i-n-a-d-o, com toda a desgraça e abatimento que isso significa pra gente da terrinha.

Nosso plantel nos honrou, sem dúvida. A derrota, apesar de bisonha, nada tem a ver com aquela palhaçada de glamour, em 2006. Mas o Brasil perdeu pra ele mesmo... Os caras perderam para suas próprias cabeças, seus próprios nervos.

Que venha 2014...

quinta-feira, julho 01, 2010

A Copa Pegando Fogo

Agora sim... Começou a Copa do Mundo. Espero que não saiamos logo no 'segundo' jogo, hehe. Sério. Chegamos àquele momento a qual o elemento 'rivalidade' impera a despeito da festa de congregação dos povos. Algumas escolas da pelota saíram, a exemplo da Itália e França (hehehehehehehe). As provocações dos adversários ganham a acidez dos duelos nos gramados. Pra quem curte futebol, esse é um momento único.

Estou confiante na Canarinha. Não damos espetáculo, mas vamos avançando. Se esse é o mote, que seja, ora bolas. Não é época de saudosismo. O Garrincha não joga amanhã. Portanto, força aos caras que estão lá. Queremos erguer o troféu e mostrar que ganhamos dos outros até quando jogamos de forma diferente do que antes era habitual. Claro que uma coisa necessariamente não tem a ver com a outra, mas o Dunga conseguiu inflamar os caras a jogar com garra. Isso por si só não ganha jogo, porém ajuda e muito a despertar o talento brasileiro. Sem contar que auxilia a cicatrizar e valorizar a derrota. Claro que nem vamos pensar nisso. Que venha a Holanda, então... como nos velhos tempos...

Amanhã é dia...

sexta-feira, junho 18, 2010

Mais uma perda: José Saramago

O mundo amanheceu menos carregado (no péssimo sentido). Morreu hoje um daqueles que, com suas letras, nos ajudam a pensar sob a égide da razão com doses generosas de humanismo. José Saramago.


(Azinhaga, Golegã, 16 de Novembro de 1922 — Lanzarote, 18 de Junho de 2010)


Pior que espécies como essas há muito que estão em processo de extinção...


quinta-feira, junho 17, 2010

Inveja que só aleja... não mata...


Inveja dos hermanos. Os caras tão jogando pacas. Não nego que torço pelo Maradona nessa Copa - não só pelo nome (hehehe). É quase que sentimento lúdico nesses tempos em que os técnicos frios e calculistas prevalecem. Ou talvez porque o cara deixou sua posição divina no imaginário argentino pra 'descer ao mundo dos vivos' e assumir a batata-quente-assada-em-caldeira que é o comando da alvi celeste. Questiona-se sua forma de trabalho ou até da 'ausência' de opções táticas. Bom... tão ganhando... e bonito... Autêntico futebol argentino clássico e elegante... igual ao tango...

Um técnico carregado num time carregado, pois...

... mas a Copa só começou... acompanhemos...

sexta-feira, junho 11, 2010

Futebolês

Sempre fui um fanático por futebol. Acho uma expressão artística. Para este que escreve, se constitui numa imbecil tese acadêmica (???) perseguir ou discorrer pérolas do tipo: "futebol provoca alienação"; "ah... que é isso... futebol é coisa pra dementes com pernas, sem cérebro...". Voltando sempre a comentar sobre a 'transferência de responsabilidade', o brasileiro - melhor... alguns seres pensantes do Brasil - novamente 'caga no pau' quando coloca a culpa nos outros, nas atividades culturais ou nos objetos, sobre suas pendengas com o bem estar sócio-político. É evidente que um sujeito que não deixa de ver TV, de jogar sinuca ou 'jogar bola' nem que seja no momento do acasalamento não terá um senso crítico do estado das coisas. Sim. Mas isso não diz sob forma alguma que o futebol (à novela, à festa, a MTV - hehehe... peguei pesado - ou o que o valha...) tem culpa nisso. É uma questão de gosto, de vontade, de entretenimento - coisas que nem Einstein escolheria: letra e) NDA...

A propósito, estou lendo um interessantíssimo livro do Aldo Rebelo (deputado federal do PCdoB-SP) sobre o contexto do derby Palmeiras versus Corinthians realizado em 1945 para angariar grana para o antigo MUT (Movimento Unificador dos Trabalhadores), braço sindical do PCB, que fora legalizado naquele ano de fins do Estado Novo. O Rebelo é um palestrino doente (assim como o rabiscador deste blog). O livro já me fisgou no prefácio quando propõe o futebol enquanto simulacro de conflito bélico para o qual é possível canalizar emoções e construir SENTIDOS DE PERTENCIMENTO. Muito bacana. Recomendo (se é que isto importe em alguma coisa...).

Mas voltando a minha paixão pela pelota. Em minha infância, preenchi as fileiras dos moleques que vivem para ser jogador de futebol. Sonhava - dormindo ou não - com isso. Como ocorre com a absoluta e absurda maioria, caí na real e me concentrei mais nos estudos e outras coisas. Mas volta e meia meto-me em uma pelada descompromissada de fim-de-semana. Acho um esforço físico bem mais prazeroso do que a simples caminhada ou coisa que o valha. No tocante ao time do coração, houveram muitas ocasiões às quais o 'Parmera' me arrancou lágrimas de sofrimento e estontiantes alegrias (ultimamente prevalecendo a primeira...). Claro e evidente que o futebol, assim como tudo na vida, readequou-se ao padrão do mundo globalizante hegemônico: por trás de qualquer atividade cultural de grande presença entre os povos, zilhões em dinheiro. Fato. Mas ainda enxergo a pureza e o amor verdadeiro pelo seu time ou esquadra nacional.

Tem também a nossa canarinho, claro. Quem não torce pra seleção??? Nosso esquadrão verde-e-amarelo sempre belisca alguma coisa. Nosso futebol é o melhor do mundo. Outro fato. Tenho esperanças nessa Copa. Todo mundo está esculhambando o Dunga, mas o cara vem ganhando tudo ultimamente. Claro que queremos ver o espetáculo e grandes jogadas, mas acima de tudo queremos ganhar, nem que o time quase inteiro seja composto por volantes, hehe. Prova maior disso é a Copa de 82 onde tínhamos uma das maiores seleções de todos os tempos, com o futebol refinado e elegante do Sócrates, e o Zico (dispensa cometários). Veio a Itália com aquele esquema mais manjado que o Sílvio Santos e... decepção.

Essa é a época do futebol. Bilhões de pessas acompanham o Mundial da FIFA. Portanto, dá licença que vou ver Eslovênia versus Argélia... só na Copa mesmo...

(putz... que frango do goleiro argelino...)

segunda-feira, abril 12, 2010

O País do Futuro

A Indignação/coragem da Cidinha é mais que justa. A estrutura política, a democracia representativa brasileira como um todo é horrível. É facultado a qualquer um o "direito" de ser bandido. Seria cômico se não fosse trágico. Poucos são os isentos da "matralhada oficial".

Créditos a amiga Laurita Dias pelo envio do vídeo.

sexta-feira, março 19, 2010

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Um Blog de Responsa

No post penúltimo (sem utilizar esse na contagem, claro... rs) rabisquei um pouco sobre as infindas possibilidades que a Internet nos proporciona. Bom... pra afirmar isso, exemplifico o dito com esse EXCELENTE BLOG sobre a cultura Rock'n'Roll em todas as suas nuances: o ARAPA ROCK MOTOR.


Quando o visitei pela primeira vez, estava a debater e curtir o bom e velho Rock'n'Roll com um amigo, o João Paulo (Japa). Lembro que estávamos procurando um vídeo da Janis Joplin e um documentário sobre a história do Heavy Metal que minha memória prestou-me o favor de esquecer o título. Foi quando numa daquelas velhas fuçadas no Google (nome do vídeo ou disco ou musica ou artista ou livro, entre aspas, se tiver um nome composto + 'blogspot'... hehehe) surgiu o "Arapa Rock Motor: um blog de filmes underground". Meu amigo e amiga, foi uma festa. O acervo de links que esses caras possuem é 'fodástico'... das raridades aos DVDs encontrados em qualquer esquina com um bar... do vídeo sincronizado do "Mágico de Oz" com o disco floydiano "The Dark Side of the Moon", ao "Na onda do IÊ-IÊ-IÊ", com Didi Mocó e Dedé Santana (ambos os vídeos das "antigaças"); perpassando por vários shows, documentários, dentre outras coisas. Só pra se ter mais uma base: Você encontra, à fundo, os filmes dos Beatles, os filmes com trilhas sonoras do Pink Floyd... tem até filme com o Lemmy (Motörhead) atuando...

Não teve outra: abrimos uma bebida e "metemos o sarrafo" a navegar pelos posts. É coisa que não acaba mais. Fica aqui mais que recomendada sua visita ao Arapa. Esse blog é a prova cabal de quanto o Rock'n'Roll é "3V": vasto, variável e volúvel. E o quanto a NET pode ser uma grande ferramenta a serviço da Cultura.

Parabéns aos seus idealizadores e mantenedores.


quinta-feira, dezembro 10, 2009

Momento Musical I

Pra (des)carregar um pouco...

O Paraíso é virtual

Há tempos que sou um internauta de carteirinha. Não há como negar o universo de possibilidades que a rede mundial de computadores nos traz. O tempo por vezes é escasso. Mas é só a labuta dar uma colher-de-chá, nem que seja por poucos minutos, que lá estou a vasculhar a NET. E é justamente esse "vasculhar" que diferencia o internauta pesquisador daquele que a utiliza apenas como um passatempo barato ou ferramenta de abusos e chateações para com seus semelhantes (quem nunca recebeu aquela desgraçadas correntes que prometem milhões ou surpresas inimagináveis ou ainda aqueles infindáveis bons dias e boas noites de pessoas que você não suporta com a mais pura das recíprocas?!). O prazer de conhecer coisas novas com tanta facilidade é impagável. O acesso à notícia instantânea, a música do mundo, aos filmes novos e raros, aos mais diversos textos e livros, o reencontro com pessoas que há muito não se via (sem a bosta da corrente...)... o pessoal das gerações passadas devem estar remoendo suas covas...

O problema da compreensão do que a Internet representa não é isolado. O real engodo não é nada mais / nada menos daquilo que você já está cansado de saber: A Educação do brasileiro. Não se nasce com cultura, se adquire. Há todo um esquema montado nessa merda de estabilishment pra que o indivíduo não entenda o que é diálogo, pressuposto umbilicalmente essencial para a comunicação. Isso por si só já garantiria a reinvenção de qualquer modus vivendi. Ou seja, sem educação (crítica, honesta, sem ingenuidades do tipo "ser insenta") escolar e não-escolar não há como mudar a mentalidade do brasileiro, mais viciado que qualquer cracker (hehe, não perdoei o "trocadalho do carilho"). Fato.

De volta a NET... É impressionante o sentimento de poder (no bom sentido, claro) que o navegador adquire com tamanho potencial de informação que a rede traz. Mais impressionante ainda é que a filosofia da coisa, em pleno contexto, é justamente o da partilha. Isso se revela até nas nomenclaturas utilizadas: "interatividade", "comunidades", "redes de compartilhamento", etc, etc. Claro que existe intenções, diríamos "mais nefandas". A culpa não é da Internet. Aliás, já perceberam que o ser humano tem uma mania estranha de pôr a culpa de suas maldades em obejtos, coisas sem vida (se for brasileiro, então...)? Os objetos não existem sem a "mão" humana. A mania feia (como diria minha mãe...) de tranferir responsabilidade chegou ao absurdo de culpar coisas.

Não há como negar... O fato é que a revolução de comportamento no manuseio da Internet é esplêndida. Mas como o lance está no usuário, não na máquina, vamos aguardar por um bom tempo (talvez nunca?!) sua correta utilização... Mas muita gente boa já faz mais que sua parte...

Sua popularização é ótima. Porém vamos ver como a rede se comporta depois que virar um negócio de vez. Como tudo nessa sociedade é capitalizado... Os conflitos já estão aí. Veja o cerceamento na galera que compartilha músicas, filmes e livros. É bom estar em alerta...

sexta-feira, agosto 21, 2009

A Mãe - Gorki

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Relendo algumas coisas, peguei esse em minha poeirada e quase abandonada estante (motivo pelo qual este modesto blogueiro está a ponto de arrancar os cabelos...)...

O cenário é a Rússia pré-revolucionária. Os movimentos operários e campesinos agitavam a "tranquilidade" secular da "Mãe" czarista. Jovens sonhadores de um mundo mais justo e humano empreendiam protestos panfletários contra a estrutura vigente. Influenciaram-se pelas idéias marxistas do ocidente. Máximo Gorki, socialista convicto, retrata o contexto desses jovens operários sob uma perspectiva familiar tendo como protagonista a mãe de um deles, numa pequena cidade com uma fábrica. "A velha" se envolve num sentimento materno para com esses jovens e acaba por amar a causa. Muito interessante essa relação que o autor estabelece: o amor materno - o sentimento numa perspectiva ampla, enfim - na égide marxista, fria por vezes. O prefácio é do Frei Betto...

Sem a ingenuidade de cair na barreira ideológica, o livro sugere um resgate do sentimento de transformação perdido nos últimos anos. Uma excelente pedida para o momento mórbido em que nos encontramos...

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segunda-feira, março 23, 2009

Enquanto isso...

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APÓS UM PERÍODO EM IBERNAÇÃO TOTAL NAS BLOGUEIRAS ATIVIDADES, READENTRO EM NOVA PAUSA PARA ESTUDOS PROFISSIONAIS...



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