quinta-feira, dezembro 22, 2011

A gente não quer só comida...

Lamentável a postura hora adotada pelo Governo Federal. E não é pura e simplesmente uma crítica única e exclusivamente centrada sobre as cisternas de plástico, PVC ou o que o valha. A crítica posta se fundamenta em enaltecer todo um processo belo por essência, de sublime magnitude. O Programa 1 Milhão de Cisternas, junto a outras ações, é articulado, gerido e desenvolvido pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), que não é UMA Organização Não Governamental  (ONG)(sinônimo do capeta hoje em dia), mas um fórum de entidades espalhadas pela vasta área denominada de Semi-Árido Brasileiro (sinônimo de inferno desde sempre). Este fórum agrega uma variedade de organismos sociais, sejam eles associações de agricultores (ou associações de associações de agricultores), sindicatos, entidades religiosas e... ONG's. ONG's não são o mal em si. É preciso entender primeiro e depois separar o joio do trigo. Entendo esta não ser a proposta deste post. Continuando... Mesmo com diferentes filosofias e formas de trabalho, essa variedade de grupos possui um paradigma em comum: A CONVIVÊNCIA COM O SEMI-ÁRIDO TUPINIQUIM. Isso por essência é EPISTEMOLOGICAMENTE contrário a histórica idéia de COMBATER A SECA, lutar contra a natureza. Nada a ver. Conviver com o lugar a qual se vive é aprender e construir alternativas de VIVÊNCIA, de convivência com as limitações do ambiente, noção  aplicável a todo e qualquer lugar da Terra. É enxergar as potencialidades postas e utilizá-las. Deveria ser claro, notório e praticado. Mas é aí que começa a merda... muuuita merda. Vamos lá:

No Brasil - e em alguns lugares TAMBÉM socialmente frágeis - convencionou-se utilizar da uma biltre e manipular noção de extrema pobreza sócio-ambiental sobre o Semi-Árido. Adjetivos do tipo "pobre de vida", "inóspito", "rincões" e "terra fodida" são historicamente utilizados (a primeira muito utilizada pelas pessoas espirituosas, a segunda pelos filósofos, a terceira pelos políticos e radialistas, e a quarta por alguns/mas imbecis  nas redes sociais). Era como se todos/as devêssemos correr de lá por causa dos fenômenos da natureza, a destaque para a seca. E muitos/as o fizeram. As pessoas que permaneceram e permanecem por lá nos provaram que é possível sobreviver neste suposto "lugar inóspito". Sofreram o "pão que o diabo amassou", mas o problema não foi ambiental, e sim social... e POLÍTICO. Uma estrutura social que mais lembra o Feudalismo que o Capitalismo se instaurou desde os primórdios da colonização portuguesa., com a idéia de que o interior deveria dar a carne para a elite canavieira do litoral, e o que sobrasse para os trabalhadores escravos desta. Latifúndio na veia! Essa foi a tônica durante muito tempo. Mas tinha o "além-gado", tinha gente por lá, pessoas. Hehehe, nós sertanejos temos antepassados, não viemos da cegonha (pelo que se escuta, é como se acreditassem nisso...). Dessas pessoas, tirem os latifundários e suas famílias, um ou outro profissional liberal (delegado, bancário, babão-mor do prefeito, prostituta vip... e o fiscal de tributos, claro...). Sobrou todo o restante! A grande maioria era "trabalhador/a da roça". Dessas pessoas, algumas eram/são muito engenhosas. Desenvolveram experiências práticas em seus cultivos próprios, com a nobre intenção de melhorar suas presenças em vida. Isso foi sendo passado por gerações e sendo otimizado a cada momento da vida social desses indivíduos. Os bancos comunitários de sementes, a infinidade de defensivos naturais, as barragens subterrâneas, CISTERNAS... "n" estratégias de CONVIVER com os limites impostos pela natureza. E não precisavam das bençãos do coronel, do padre e/ou do governo. Faziam com o pouco material que dispunham. Em paralelo a isso, os governos, TODOS ELES, cuidaram de dar mais poder ($$$) aos donos da bodega (aliás, da fazenda, que, afinal de contas, acaba sendo o dono da bodega). O cara tinha uma fazenda, grande, enorme, e por razões óbvias ($$$) era o dono do lugar e comandava tudo. Misture poder político, econômico e cultural e você tem uma uma sólida fossa intransponível. Um oceano de bosta.

Falando novamente de bons cheiros, voltemos às tais experiências práticas. Pois bem, com o passar do tempo essas idéias ganharam a atenção de pessoas bem letradas, teoricamente bem qualificadas e POLITIZADAS o suficiente, cientes de que toda a engenharia social predominante é montada para manter a estrutura social já mencionada, que sofreu mutações a partir do desenvolvimento do capitalismo in terra brasilis. Essa galera percebeu que com ORGANIZAÇÃO, PLANEJAMENTO E MOBILIZAÇÃO SOCIAL a coisa vai para a frente. Compreenderam que a história pode (e deve!) ser interferida. Que as "bençãos" dos eternos patrões não dão juízo de valor e não importam para a condução de suas vidas. Dessa ORGANIZAÇÃO, PLANEJAMENTO E MOBILIZAÇÃO SOCIAL nasceu a ASA, composta desses experimentadores e teóricos (intelectuais), com algumas novas experiências e conceitos. Da ASA nasceu um fantástico projeto, O PROGRAMA DE FORMAÇÃO E MOBILIZAÇÃO SOCIAL PARA A CONVIVÊNCIA COM O SEMI-ÁRIDO: UM MILHÃO DE CISTENAS). A idéia é construir um milhão de cisternas no semi-árido brasileiro e PROPAGAR TODA ESSA HISTÓRIA COM AS FAMÍLIAS BENEFICIADAS E COM TODA A SOCIEDADE. Nada aqui se mostra na TV...

O governo saca bulhufas dessa história. Portanto, nada melhor que um fórum bastante participativo no semi-árido como a ASA para tomar conta. Com toda a lógica já mencionada e detentora da tecnologia de produção da CISTERNA DE PLACA, A ASA multiplicou este conhecimento semi-árido adentro (ou seria afora???). Dai surgiram uma infinidade de pessoas qualificadas para construir as cisternas. Na base da pirâmide sócio-econômica isso se constitui num considerável choque. E a lição de cidadania se fortalece com o estágio de vivência que se tira daí. Todos participam do processo, do coordenador executivo do projeto à família beneficiada. Só que a ASA não fabrica dinheiro. O governo fornece o "dim-dim" pra coisa rolar. Uma atitude louvável, diria, nossos impostos sendo bem empregados e tal. Mas é justamente aí que temos outro problema, outra merda, outro oceano de bosta:

Nosso governo possui em sua composição pessoas que compreendem esta história política, militaram nela. Beleza, alguns mostraram quem na verdade são, usurpadores de mão cheia, lobos na pele de cordeiro (e isso é um insulto aos lobos e aos cordeiros!). Mas vamos falar dos bem intencionados... ainda existem por aí. Eles dividem sob uma razão nada proporcional o comando do governo com seres já lembrados ($$$). Esses caras continuam casando, batizando, cagando e andando com o poder político. A estrutura já dita não se alterou, pelo contrário, continuou a mesma. As pessoas ditas, os bem intencionados, fazem algo e aliviam as agruras do "Sisti", o monstro (apelido carinhoso dado por Raul Seixas). Como nossos monstros estão em baixa ultimamente precisam do "deus" mercado para sobreviver. Portanto, vamos matar dois coelhos de uma só vez! Matamos todas as perspectivas contrárias a nossa indústria (no caso, a indústria da seca) e socorremos os amigos (no caso, a indústria propriamente dita) da crise do capitalismo recente. Dessa última não me deterei por falta de saco e por ser de domínio público seus estágios de "estafa". É no mínimo bizarro (pra não dizer escroto) ver os comentaristas de economia nos telejornais falando que "o mercado não reagiu bem a isso ou aquilo outro". Soa humano. Se constitui num "ser" para eles... e assim é tratado. Um ser humano nos tempos de crise, que precisa ser remediado, ou uma entidade divina em tempos de "prosperidade".

Comecei o parágrafo anterior dizendo que o governo saca bulhufas. Melhor dizendo - e pior ficando, SACA ATÉ DEMAIS...




PS - Tem muita história aí no meio que daria mais um 500 posts... fico por aqui.

MINHA SOLIDARIEDADE AO TRABALHO DA ASA E A TODOS E TODAS QUE VESTEM A CAMISA DA CONVIVÊNCIA COM O SEMI-ÁRIDO!

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Com a palavra (III)... Paulo Freire

Sua oratória e conteúdo por si só justifica, estritamente nesta entrevista, o registro. Todas as suas obras, pedagogias, do oprimido, da autonomia, etc, são reflexos dessa visão de mundo. Seu entendimento acerca das marchas é perfeito. Aliás, vale dizer, que não concordo com tudo o que rola nesta série, tudo o que nossos "gurús" pensam. Como nosso amigo abaixo, entendo que os processos são diferentes de pessoa para pessoa. Portanto posso eventualmente discordar de uma coisa ou outra dita por nossos/as amigos/as que pintarão por esta série. No entanto, procuro manter vivas as essências. Se há uma coisa que o homem aí tem é ESSÊNCIA.


Para os/as desavisados/as, lembro da total anarquia que é a sequência desta série. Comecei com Marcelo Nova, Renato Russo, depois Paulo Freire (!). O próximo?! Ihhh, não faço idéia...

Já rolou um tempo disso aí, a perspectiva governamental e da relação social eram outras. Porém, passados processos históricos, tudo permanece no ar.





domingo, dezembro 18, 2011

Momento Musical X

Morreu Ed Wilson. Não... não foi hoje ou ontem. Foi dia 03/10 e soube neste exato momento. O saudoso "tio" fundou o Renato e Seus Blue Caps junto aos seus irmãos, não por coincidência, Renato, e Paulo Cesar Barros. Foi um dos compositores máximos da Jovem Guarda, além de outros trabalhos, música pop afora. Mais um que se vai...



Anos Incríveis...


Lembro-me de ter sido, quando moleque, um fervoroso telespectador desse seriado. Morava em Mauá, Sampa. O ambiente de subúrbio fazia-me encaixar ao contexto. Talvez por isso não era de me identificar com novela. Salvo ótimas exceções, é sempre aquela história da periferia que no final das contas se mistura harmoniosamente com o high society, geralmente com uma pseudo-campanha de "salvem os doentes e as baleias", fato que a torna "social e ecologicamente responsável". Coisas da ideologia vigente, da tal "ditadura do pensamento único", vigente por essas bandas desde... desde... desde sempre.

Bom, o seriado em epígrafe nos traz variações particulares da infância e adolescência de um sujeito, o Kevin. Daí sua vida segue. Um jovem comum, fazendo coisas comuns. A beleza está nas sutilizas do cotidiano. Grandes coisas surgem...

São muitas lembranças soltas. Tempos que passam e corroboram o travamento da memória. Preciso assistir novamente. A abertura, essa sim, segue intacta nas lembranças... E logo com With A Little Help From My Friends, dos Beatles, extraordinariamente interpretada por Joe Cocker, que a imortalizara em Woodstock.


Agradecimentos ao amigo Luis Fernando Mifô (Jocivan) por proporcionar tal achado na mente.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Conc(s)ertos para a juventude


Por aqui, driblando o sono com coisas produtivas. Por sinal, tava conversando com o Rubens sobre isso quando de sua auspiciosa visita aqui por terras filipescas. A noite nos envolve num espectro intelectual reluzente. É como se a banda pensante do cérebro, cadente à criatividade insana (com ou sem malícias, hehe) atingisse seu pico depois da meia-noite. Comigo sempre funcionou assim. O título do blog, Visão Noturna, tenta sintetizar isso.

Bom, dorgas a parte, cá estou assistindo ao sarau filosófico do CPFL Cultura, Programa Café Filosófico, tendo o Lobão como convidado (pois é, ainda há salvação advinda do aparelho televisor...). O mediador inicia provocando com este belíssimo texto, filosófico, poético, envolvendo mística e racionalidade sobre música, e seu consequente exercício reflexivo da totalidade. Reproduzo:


A MISSÃO DA MÚSICA NO MUNDO MODERNO
Thomas Mann

A música é um grande mistério. Em virtude de sua natureza sensual-espiritual e da surpreendente união que ela realiza entre a regra estrita e o sonho, entre a razão e a emoção, entre o dia e a noite, ela é sem dúvida o mais profundo, o mais fascinante e, aos olhos do filósofo, o mais inquietante dos fenômenos.

Desde a minha juventude eu tenho refletido sôbre o seu enigma, procuro contorná-lo, e resolvê-lo. Como escritor, eu ia aonde me levava o caminho da música, cedendo inconscientemente à sua influência no meu estilo e na minha eterna maneira, e sempre me sinto feliz quando amadores e mestres da música gostam da minha obra pelo que apresenta de afinidade com a música.

Desde cedo na minha vida, a admiração e a curiosidade fizeram-me procurar a companhia de músicos; isto me proporcionou desencantos e decepções em alguns casos, mas em outros uma larga e rica experiência. Escrevo estas linha para testemunhar o meu respeito a um homem que é meu amigo há mais de uma geração, que por vinte anos foi meu bom e amável vizinho num subúrbio de Munich, e com o qual partilho hoje um rumo político idêntico e um sofrimento comum.

Êsse sofrimento não é uma questão pessoal —pois a nossa pátria adotiva tem sido boa para nós— mas surge de sombrio destino do país de onde saimos —a Alemanha, o país da mais boa música, êsse páis ambíguo que se transormou numa ambígua ameaça à liberdade e aos direitos humanos e que fêz com que a humanidade indignada mobilizasse suas imensas fôrças defensivas.

Há cinquenta anos, em Colônia, Bruno Walter, um rapaz de 17 anos, empunhou pela primeira vez a batuta para dirigir a execução do “Waffenschmied”, de Lortzing. E um jornal de Colônia escreveu isto a respeito: “Dentro de muito pouco tempo esse jovem maestro dará o que falar”. Assim aconteceu, e a tal ponto que a própria música está em causa quando se fala de Bruno Walter. Pois êsse homem, que agora tem 67 anos, é um dos 4 ou 5 destacados representantes e guardiães da música. E a sua própria recordação dos últimos cinquenta anos acompanha um trecho da história musical inseparável do seu próprio desenvolvimento e das suas realizações. Também vai de par com um trecho da história universal cheia de agitados acontecimentos – aconteceimentos que o forçaram, como a todos nós, enfrentar firmemente os problemas básicos da humanidade, o problema do próprio homem. Êle olha para trás com o olhar pensativo que foi dolorosamente experimentado, que cresceu com os anos em experiência e sabedoria; que, ao refletir sobre sua vida, não pode deixar de incluir muita coisa que não está em sua esfera pessoal, muita coisa que diz respeito à arte e à humanidade. E eu ouso dizer que neste seu 67.º aniversário, seus pensamentos estão seguindo linhas muito semelhantes ao do meu quando escrevo sobre ele.

Harmonia – isto é mais do que um conceito estético, é um princípio cósmico; esta palavra está no princípio, ou muito perto do princípio do pensamento ocidental. Ela deriva da filosofia grega-socrática, da idéia pitagórica do mundo. A palavra “harmonia” significa música, mas apenas secundariamente; originalmente, quer dizer matemática.

A matemática foi a grande paixão de Pitágoras, bem como a proporção abstrata, o número, de que aquêle espírito devoto e austero fêz o princípio mesmo da craição e da conservação do mundo. Naqueles dias remotos, êle olhava para a natureza como alguém que a conhece, que havia sido iniciado; e pela primeira vez falou nela, sublimemente, como num “cosmos”, como ordem e harmonia, como sistema espiritual e sonoro das esferas. Visto que o número e a relação numérica estão no próprio âmago do ser, essa concepção une reverentemente tudo o que é belo, verdadeiro e racionalmente moral. Mas o mundo não é todo êle acôrdo e harmonia de esferas; êle possui tendências irracionais e demoníacas que os gregos não desprezam, mas procuraram dominar e integrar em sua religião. Assim o culto de Eleusis adorava as fôrças obscuras do mundo inferior. E o pensamento pitagórico também tinha as caracteristicas de um mistério religioso, daqueles ritos secretos que incluiam uma espécie de drama sagrado e tiveram grande influência no desenvolvimento da filosofia grega.

Essas cerimônias religiosas implicavam uma situação do mundo como um todo, tanto o racional como o irracional. A mais bela herança que devemos aos gregos é êsse conceito cultural que insiste numa piedosa e santificante inclusão das fôrças da treva no culto dos deuses. Se o mundo é música, inversamente, a música é o reflexo do mundo, de um cosmos semeado de fôrças demoníacas.

Música é número, a adoração do número, é álgebra ressonante. Mas a própria essência do número não conterá um elemento de mágica, um toque de feitiçaria? A música é uma teologia do número, uma arte austera e divina, mas uma arte em que todos os demônios estão interessados e que, entre tôdas as artes, é a mais susceptível ao demoníaco. Pois ela é ao mesmo tempo código moral e sedução, lucidez e embriaguez, um apêlo ao mais intenso estado de alerta e um convitre ao mais doce sonho de encantamento, razão e anti-razão – em suma, um Mistério com tôda a iniciação e os ritos educativos que desde Pitágoras foram parte integrante de todos os mistérios. E os sacerdotes e mestres da música são os iniciados, os preceptores dêsse ser duplo, a totalidade demoníaco-divina do mundo. Vida, humanidade e cultura.

Durante as últimas décadas os povos do ocidente, os alemães em primeiro lugar, ficaram decepcionados com a razão, na qual tinham posto excessiva confiança. E assim, numa espécie de voluptuoso desespêro, dedicaram-se a um culto exagerado e tendencioso das fôrças da treva, ao irracional e ao demoníaco. Pensaram ver a vida na anti-razão. Julgaram-na chamados a defendê-los contra a inteligência, e assim fazendo perderam de vista o verdadeiro conceito de humanidade, que nunca é uma parte ou outra, mas só atinge a realização no Mistério do todo. Num tremendo sofrimento, êsses povos do Ocidente voltam-se para recuperar êsse conceito religioso. Apoderou-se dêles uma esperança apaixonada no sentido de um mundo melhor e mais justo —mais justo em todos os sentidos, inclusive o de um equilíbrio humano mais feliz. É a esperança de uma humanidade que, ao invés de reprimir e portanto exasperar o irracional, aceita francamente, venera e portanto santifica essas fôrças demoníacas e coloca-as ao serviço da cultura.

Não admira que tantos corações se inclinem com maior fervor e ansiedade do que nunca para os mistérios da música e que ao mesmo tempo os problemas da educação tomem o primeiro lugar nos pensamentos e nos debates públicos.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Momento Musical IX

E que momento! Há anos esperava uma parceria dessas. Duas entidades da sapiência Rock'n'Roll nacional. De quebra, interpretando Raulzito. Essa vai de souvenir...

sábado, novembro 26, 2011

Amar e mudar as coisas

Temos por base, e preguiça por vezes, guiarmo-nos pelo que se noticia de forma "escancarada", sensacionalista. Se vier sob a forma plastificada é melhor ainda. Afinal de contas, somos/fomos habituados a ser assim. E o que tiver de ser será, né não???

Imaginando que a vida vai além daquilo que falei abaixo, no post sobre o dia do músico, de que a vida vai além do empreguismo, acrescentando também que ela, a vida, sobrepõe a futilidade, percebe-se que há muito mais coisa acontecendo do que imaginamos. São pessoas se movimentando para se ter um prazer próprio, só seu, ou pessoas que acrescentam a isso, uma capacidade de se preocupar com o futuro, não só seu, mas de todos e todas. Afinal, não somos/estamos sós no mundo, né não???

Pois bem. Muita gente bacana segue esta segunda linha de vida. Não, não falo da esposa do prefeito de qualquer cidade que é secretária de ação social. Falo de pessoas, ou grupos delas, que vivenciam práticas transformadoras da realidade. Isso mesmo! Parece coisa de comunista pequeno-burguês dos anos 60, né não???

Eles tiveram sua importância, mas o "não" "num" é não.

Pequenas grandes ações são realizadas diuturnamente. É só parar pra ver. E se mesmo assim você não se satisfaz e quer fazer algo para mudar sua própria realidade, que faça. Junte os amigos, os colegas da escola, de bar, ou os dois (hehehe), e misturem-se. Procurem conhecer o que se faz por aí, pelo mundo, perto da sua casa ou do Saara. Sair do labirinto do "eu e meu mundinho" ajuda bastante. Não digo sob hipótese alguma renegar aquilo que se tem. Lutas foram/são traçadas para tanto. Mas, encontrar pessoas comuns, que possuem esta mesma premissa de modificar a realidade, INTENCIONALMENTE, pode alegrar sua alma. Cansou??? Recupere as energias e vá novamente. Não estou falando de turismo, de conhecer e acabou-se. Apesar dos pesares, muita gente ainda vê salvação nas mazelas. É preciso fazer algo, criar movimentos. Todo mundo reclama da marginalidade, dos problemas e do escambau (!). Fazer algo que é bom, nada. Pensar que é bom, nada. É preferível que outros pensem e nós sigamo-os. Afinal de contas, somos/fomos habituados a ser assim. E o que tiver de ser será, né não???

terça-feira, novembro 22, 2011

Dia do músico

As infâmias a seguir serão mais bem compreendidas ouvindo este som no momento da leitura...




O que diabos seria um músico? Alguém que produz música? E o que diabos - e todas as suas versões - seria música??? Vamos estender. O que diabos seria um artista?? O que produz arte???

Em nossa sociedade, que se utiliza da premissa "diga quanto ganhas que te direi quem és" convenciona-se utilizar do empreguismo, do profissionalismo, para o cabra dizer o que diabo ele venha a ser. Um reducionismo. Uma pessoa só pode ser isso porque vive disso. Pronto. E tem gente que acha isso bonito. E outras centenas de milhões mais. É coisa inconteste. É o sistema... o sistema. 

O ato de "playar" - como bem nos foi sugerido pelos Mamonas Assassinas - é PRATICAR nosso OUVIR. Aquilo que mexe conosco, com nossa psiquê, com nossos nervos. Pode nos satisfazer individualmente ou coletivamente, sob rito de celebração. Este último ocorre em oportunidades ímpares para quem não se categoriza conforme nossos "diabos" do início deste ínfimo post. A vida se dá além dessas "diabices". Ou, sendo mais prudente, a vida é o entreposto entre o "profissional" e a plenitude do ócio.

Viagens à parte, desejo um FELIZ DIA DO MÚSICO (!!!) a todos e todas que VIVENCIAM ela, a música, seja desfilando um solo avassalador de guitarra ou simplicissimamente assoviando uma melodia qualquer que só rola em sua cabeça. Afinal, isso é só para loucos... caretas, não! Vivamos o exercício da liberdade...

sábado, novembro 19, 2011

Momento Musical VIII

E a trilha sonora do final de semana vem do nosso conterrâneo Zé Ramalho. Paraibano de Brejo do Cruz, o gajo nos brinda com uma célebre carreira, presenteando-nos com grandes pérolas da música tupiniquim. No disco "Por aquelas que foram bem amadas", o homem revela a influência que o Rock'n'Roll tem em sua produção.

Vamos nós, então:


quinta-feira, outubro 20, 2011

Rock com sotaque violeiro

Gente, o Rubão não tinha o que fazer. E que ótimo! Ocorre que o dito descobre, nas fuçadas de sempre pela NET, este trabalho fantástico, um puta projeto. O Ricardo Vignini e o Zé Hélder são professores de viola caipira e fissurados em Rock'n'Roll. Resultado??? Essa beleza de fusão:





Existem muitas fusões musicais por aí. Não consigo entender que pessoas torçam a cara pra coisas desse tipo. Em se tratando de música pop (não peguei tão pesado com o Maiden, sou fã, posso dizer, hehehe), muita coisa foi inventada nos anos 50, 60, 70 e 80. Chega a ser covardia exigir tais lides dos contemporâneos, o que de forma alguma implica em menosprezo pelos ditos, muito pelo o contrário. Cada qual pode beirar à perfeição no seu cada qual. Muitas cervejas jorraram pelas goelas nos quase sempre acalorados debates (não é mesmo confrades Japa, Vandílson, Rubens, Rômulo, Jory, Jocivan (Mifô) e Jeffu?!). Portanto, nada mais original nestes idos que fazer a miscigenação das invenções, ainda mais trilhando caminhos com expressões musicais tradicionais. Isso orienta, inclusive, os rumos do Arlequim Rock'n'Roll Band há um bom tempo.

Parabéns aos caras pela sacada. Eles gravaram um disco inteiro com clássicos do Rock'n'Roll sob essa égide, o Moda de Rock. Deleitem-se...

sábado, outubro 15, 2011

Chico... 2011



Cinco pras duas da manhã.

Nesses dias, nos últimos 5 anos, por aí, não há nada como escavacar a NET. Já disse isso. Até no Gazeta do Alto Piranhas fora publicado, fato que muito me orgulha. A tal vida na "Aldeia Global" remete-nos a uma busca desenfreada pela tal, MAL ou BEM dita, informação. Como tudo nesta vida de Dio Mio, há que não esquecer-se do MALDITO preço. O preço é deixar o principal fora do resumo. É tanta coisa pra dar conta que por vezes a essência fica por alguma esquina, num bar, enquanto seguimos adiante sem ao menos dar-nos conta.

Ocorre que o Chico Buarque de Holanda lança, depois de 5 anos de espera, dedicados à assuntos libroriuns; lança um novo disco. Não, não dei um "furo" de informação. Desde Julho que está no ar, nas lojas, ou na NET (hehehe... lembrem-se, 24 horas, depois apagar e tal...) e o babaca aqui descobriu agora.

Nota: Pela primeira audição noto que não se trata de mais um disco do cara. Percebi um quase blues, quase samba, quase baião, quase rock... Esse é o Chico. Impossível atirá-lo na masmorra dos estilos, das vertentes. O dito cerra fileiras ao lado de Raul, do Dylan, Do Caetano (e sua troupe tropicalista), de tanta gente...

Paro por aqui por questões etílicas...




terça-feira, outubro 11, 2011

Com a Palavra (II)... Renato Russo

Comparado a muita gente (muitíssima, na verdade) nunca reservei muitas "oiças" ao trabalho do Renato. Sempre achei ter acumulado o suficiente pra discutir sobre ele e a Legião Urbana com amigos/as e colegas. Lembro que o que fiz de grande coisa (pra mim, claro) foi ler um livro, "Renato Russo de A à Z", com opiniões do gajo sobre uma diversidade de assuntos. Sua opinião sobre o disco Atom Heart Mother, do Pink Floyd, o famoso "disco da vaca", em que ele desce a lenha, me foi o bastante pra procurar outra coisa pra fazer. Passado um tempo, mais amadurecido, procurei entender essas e outras opiniões dele. Na realidade, mesmo compreendendo o contexto cultural do movimento Punk, da qual sempre dediquei respeito, no conceito e na forma musical, meio a qual nosso caro Manfredini fora forjado; exigi certo distanciamento intelectual por entender que ele, por questões próprias, iria além deste meio, na filosofia do "além", "mais adiante". Isso se comprova com seus discos em final de vida material. Outros sons, outras nuances e perspectivas.

Passado o tempo, mais "zen" sobre muita coisa, compreendi que fui precoce ao procurar entendê-lo. ELE TINHA COISA MAIS URGENTE PRA FAZER. Tinha um público sedento. O país vivia uma efervescência sócio-cultural e política. Aproveito pra deixar clara minha total discordância com aqueles que dizem que a década de 80 fora perdida. Muito pelo contrário. Foi quente, dinâmica, com reflexos bastante visíveis até hoje. Uns bons e outros ruins, óbvio. Mas voltando ao Renatovisk, ele, sem sombra de dúvidas, foi O POETA de sua geração, talvez por suas tais questões próprias, um cara de destacada formação intelectual em seu meio underground. Mas, creio que, junto ao intelecto e principalmente, sua ENORME SENSIBILIDADE do sentimento jovem. Os sentimentos, as angústias, as penúrias de um grupo social entregue às baratas, ao "que se foda" pelos proprietários do poder, em todos os âmbitos, da família ao Estado, perpassando pela divindade institucionalizada. Pergunte a qualquer jovem que imagina a vida além da Dança da Rã (e suas consequências imediatas da noite...) e verá que a idéia sobre o Renato será essa.

"Chovi no molhado". Seu trabalho fala por si só. Por isso, nada de entrevistas ou falações. Com a goela, passados 15 anos de sua repentina passagem por este plano... Renato Russo:





quarta-feira, outubro 05, 2011

Momento Musical VII


Parabéns ao Nenhum de Nós pelos 25 anos de carreira.

Poderia mandar "Camila, Camila" ou "O Astronauta de Mármore" (versão de "Starman", do David Bowie). Eles foram massacrados pela crítica, ao serem taxados de banda de um hit (ou dois). Sacanagem, OS CARAS TÊM UM MONTE DE COISA BOA. Essa abaixo é uma delas. Tem muitas outras, "Jornais", "Fuga", "Ao meu redor"... um monte. Cresci ouvindo isso.

sábado, agosto 20, 2011

Especialíssima



"E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos..."

(Pablo Neruda)


Momento Musical V

Tudo perfeito. Sintonia simétrica entre impressão, movimento e sonoridade. Somente a arte nos possibilita, DE FATO, a beleza.

Trilha sonora do Apocalyptica


quinta-feira, agosto 18, 2011

Carrazêra

O lúdico vem para destroçar-me. Um sorriso é ensaiado quando lembro e realizo em mente aquilo que vivi e o que não vivi, porém com testemunho de pessoas que me são muito caras. São gentes às quais possuo vínculo familiar, uns de sangue, outros por maioria de votos (tão valorosos quanto). O contexto de uma pessoa é forjado com pessoas, lugares e suas culturas. O meu nasce em Cajazeiras, desde o enlace matrimonial do Seu Zequinha (in memorian) com a Dona Toinha. Somente nasci na terra do Açude Grande. Nós, a família Nogueira Dantas, a primeira por parte de mãe e a segunda por parte de pai, engrossamos às fileiras (largas fileiras...) daqueles/as que àquela época buscavam, não melhores mas, de fato, condições dignas de vida. Aquela história de subsistência não cola comigo. Eu procuro viver, não subviver. Pronto. Fomos pra Mauá, no badalado ABCDM, região industrial de São Paulo. Eram meandros de 1986 e eu com poucos meses de existência. Lá morei auspiciosos nove anos, quando retornomos à terra das cajaranas (não muitas hoje - sendo mais certeiro, quase nenhuma), d'onde vivo (resido e atuo) até os dias de hoje. E são muitas as resenhas que guardo a sete chaves.

Tudo isso pra dizer que trago cá comigo total identificação com Cajazeiras, a despeito da parca idade. A identificação que mama mia tem com nossa urbe (nascida e criada) fora incorporada por mim. Os logradouros, as praças, as vielas, as escolas, a universidade, o NEC, as inúmeras casas que frequento, o estádio de futebol... foram e são palcos por onde atuei e atuo. Aqui apanhei, bati (normalmente nessa ordem), construí com muito orgulho aquilo que me sagrado: os afetos de pessoas que me são caras, dos essenciais, parafraseando a Laurita Dias. "Terra querida, lugar que eu vim", cantarola o Fernando Inácio.

Para coroar a ode e o ludismo a esta terra reproduzo dois vídeos achados na net sobre. Não são do meu tempo, mas no de minha mãe. O primeiro mostra a tradicional feira livre, que assim como as praças e o campo se constitui num lugar de convivência social e ambiental. Trilha sonora do Tocaia, grupo nascido neste meio todo. Na sequência um vídeo panoramizando a cidade através do Cristo e closes em alguns outros cartões postais da cidade. A trilha é feita por uma fanfarra, que bem poderia ter sido a tradiconal Orquestra Santa Cecília.





PS - Tou de malas prontas pra João Pessoa. Começarei lá uma nova jornada profissional e pessoal (impossível dissociar), mas o feedback com este lugar permanecerá para todo o sempre, Amém.






quarta-feira, agosto 17, 2011

Com a palavra (I)... Marcelo Nova

Seguindo a tradição deste nefando espaço, inauguro uma nova série no blog com falas de pessoas que tem algo a nos dizer. São entrevistas, pequenos documentários, poesias, crônicas ou o que o valha. Fui motivado a fazer isso por entender que minhas falas ou os momentos "UTILIDADE PÚBLICA" e "MUSICAL" não são suficientes pra compartilhar do que penso. Até porque soa como sacanagem não registrar aqui no Visão Noturna as falas, pensamentos e intencionalidades das pessoas que de alguma forma orientaram e orientam minha caminhada de construção de conhecimento. A provável não densa periodicidade dos posts - elemento sempre presente (ou seria ausente?!?!) neste blog - não se dará por outro motivo senão a total indisciplina que tenho aqui (em outros lugares também...). E a sequência dos atores não dar-se-á por hierarquia de importância, detesto isso. São coisas que pintarão na mente em momentos oportunos. Isso varia muito conforme o cotidiano da existência do sujeito. Quem sabe não caio em contradição de opiniões que concordo, seja qual for a antítese. Será perfeito. Indicará que estou no caminho certo. Vivam às contradições! Também não pensei em algo robusto, como teorias da sociedade ou da psiqué humana. Teóricos, poetas, filósofos do cotidiano... loucos! Esses estarão aqui. E isso será desenhado paulatinamente, sem pressa. Já disse... sou indisciplinado. Esquecimentos graves ocorrerão, sem dúvida. Só cometemos equívocos quando nos dispomos a fazer algo.

Eis que abaixo reproduzo, então, entrevista realizada com um de meus ídolos da adolescência: Marcelo Nova, líder da célebre banda baiana Camisa de Vênus. Detenho predisposição à figura do cara rabugento, ácido - do verdadeiro chato de galochas, aliado à veia do Rock'n'Roll agressivo, contestador (de qualquer coisa que for... qualquer uma). Paro pra ouvir esses caras porque sempre se há algo de valioso. São verdadeiras relíquias que guardo cá comigo. Os mais chegados não se encabulem caso percebam algo que veio daí ou de outras falas. É mais que normal incorporá-las. Por isso sempre soou-me estranho quando pessoas falarm em autosuficiência ou congêneres. Coisas do tipo "eu, eu mesmo, somente eu". Pior, "descobri sozinho".

Sobre o fato do primeiro da lista ser o Marcelo Nova, remonto ao que disse no parágrafo anterior. Não há hierarquia ou qualquer tipo de sequência (cronológica, linhas de pensamento...). A coisa desenvolver-se-á meio que anárquica mesmo, como nosso guru abaixo.

COM A PALAVRA, Reverendo (pelo menos pra mim e pro Chorão, do Charlie Brown Junior Marcelo Nova:




Levante Sua Voz

Ótima produção realizada pelo pessoal da Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung. Com o humor ácido também presente no célebre Ilha das Flores os caras trazem elementos essenciais para a discussão acerca do cerceamento da comunicação de mídia realizada pelas forças ocultas (não tão ocultas assim...) da sociedade (???) tupiniquim. Serve demais pra entendermos de uma vez por todas que nossos "pensar" e "agir", coletivos e/ou individuais, são umbilicalmente influenciados por nosso meio, nossas mídias, o que ouvimos, lemos, vemos, interagimos, etc... etc...

Objetivo, claro e acessível...


Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.




Créditos:

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá