sábado, janeiro 07, 2012

Um simples batuque de tamborim... por favor...

Muitos Dylans devem existir por aí. Azar o nosso que não tenhamos a graça de ver/ouvir seus lampejos. É de se lamentar... Pero, ainda bem que o gajo fornecedor deste adjetivo logrou seu lugar ao sol. Sorte nossa...



Senhor Tocador de Tamborim

Mr. Tambourine Man
(Bob Dylan)




Senhor Tocador de Tamborim
Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Não estou com sono e não há lugar onde eu possa ir.
Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Na aguda manhã desafinada eu o seguirei.


Embora eu saiba que todo império retornou ao pó,
Varrido de minha mão,
Deixando-me cegamente aqui parado, mas ainda não dormindo.
Meu cansaço me espanta, estou plantado por meus pés,
Não tenho quem encontrar,
E a velha rua vazia está muito morta para sonhar.


Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Não estou com sono e não há lugar onde eu possa ir.
Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Na aguda manhã desafinada eu o seguirei.


Leve-me a uma viagem em sua mágica nave ressoante,
Meus sentidos foram arrancados, minhas mãos não podem segurar,
Meus pés estão muito dormentes para pisar, esperando apenas minhas botas
Para perambular.
Estou pronto para ir a qualquer lugar, estou pronto para desaparecer
Em minha própria parada, moldando sua dança a meu caminho,
Eu prometo segui-la.


Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Não estou com sono e não há lugar onde eu possa ir.
Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Na aguda manhã desafinada eu o seguirei.


Embora você possa ouvir-me rindo, girando, dançando loucamente através do sol.
Não está vendo ninguém, está só fugindo correndo,
Pois no céu não há cercas revestidas.
E se você ouvir traços vagos de rimas enroladas
Para o seu tamborim no momento, é apenas um rude palhaço atrás,
Eu não lhe pagaria mente alguma, é apenas a sua sombra,
Visto que está lhe perseguindo.


Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Não estou com sono e não há lugar onde eu possa ir.
Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Na aguda manhã desafinada eu o seguirei.


Então me faça desaparecer através dos anéis de fogo de minha mente,
Abaixo das ruínas nebulosas do tempo, passando ao longe das folhas congeladas,
O assombro, árvores assustadoras, para fora da praia ventosa,
Longe do alcance distorcido da tristeza insana.
Sim, para dançar sob o céu de diamantes com uma mão acenando livremente,
Em silhueta para o mar, circulado por areias circulares,
Com toda a memória e destino navegando profundamente abaixo das ondas,
Deixe-me esquecer do hoje até amanhã.


Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Não estou com sono e não há lugar onde eu possa ir.
Hei! Senhor Tocador de Tamborim, toque uma canção para mim,
Na aguda manhã desafinada eu o seguirei.


quarta-feira, janeiro 04, 2012

E por falar em saudade...



Queria que Você Estivesse Aqui
Wish You Were Here
(Waters / Gilmour)


Então, então você acha que consegue distinguir
O céu do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Uma pequena participação na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre o mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Celso Blues Boy... e um monte de cerveja!

Fica difícil tecer planos para a saúde quando o cabra se depara com esta notícia logo na primeira fuçada na NET em 2012:

"Celso Blues Boy lança um novo disco: POR UM MONTE DE CERVEJA"


sábado, dezembro 31, 2011

Ano-Novo, Vida-Velha-Nova

Um ano que se apresenta é sempre um paiol de expectativas. Partindo da premissa que a maioria delas não se cumprem, pelo contrário, se frustam, as pessoas não mudam tanto quanto queriam ou, sem pensar direito, prometeram. Talvez isso aconteça pela áurea decorrente do Natal (nosso caso, que moramos na banda esquerda do mapa mundi, a despeito da ocidentalização do planeta). Talvez...

Dessa vez não prometerei muita coisa, nem às pessoas, tampouco a mim mesmo. Não sei se é somente o efeito da idade, os freios e airbags que a vida nos impõe. Irei rogar apenas por saúde física e mental, sabendo que o caminho natural é dar espaço às pessoas que se apresentam na condução dos movimentos também naturais do ambiente - natural e social. Peço apenas que os ventos da mudança (não, não falo das Eleições 2012), gerados por nós mesmos, nos guiem à plenitude da vida. Isso depende da saúde física e mental que falei. E que esse desejo não se apresente somente nesta época decorada. E... VAMOS NÓS!



FELIZ 2012!!!




quinta-feira, dezembro 29, 2011

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Momento Musical XI

Tinha enviado, via facebook, para D. Rosimere Brito, namorada minha, hoje pela manhã. Desde então, não parei de curtir. O amor tocado com pegada. Porque não precisa ser bossa-nova, indie ou 'bom-dia-sol-bom-dia-mar-ai-tudo-é-tão-lindo' pra reverenciá-lo... exercitá-lo. Não mesmo...

sábado, dezembro 24, 2011

Merry Christmas 2011

QUE A INTENÇÃO DO PERÍODO SIRVA PARA ACALANTAR AS ALMAS DE TODOS E TODAS, E INSPIRE-NOS A BUSCAR POR DIAS SADIOS DORAVANTE!



FELIZ NATAL!

quinta-feira, dezembro 22, 2011

A gente não quer só comida...

Lamentável a postura hora adotada pelo Governo Federal. E não é pura e simplesmente uma crítica única e exclusivamente centrada sobre as cisternas de plástico, PVC ou o que o valha. A crítica posta se fundamenta em enaltecer todo um processo belo por essência, de sublime magnitude. O Programa 1 Milhão de Cisternas, junto a outras ações, é articulado, gerido e desenvolvido pela Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), que não é UMA Organização Não Governamental  (ONG)(sinônimo do capeta hoje em dia), mas um fórum de entidades espalhadas pela vasta área denominada de Semi-Árido Brasileiro (sinônimo de inferno desde sempre). Este fórum agrega uma variedade de organismos sociais, sejam eles associações de agricultores (ou associações de associações de agricultores), sindicatos, entidades religiosas e... ONG's. ONG's não são o mal em si. É preciso entender primeiro e depois separar o joio do trigo. Entendo esta não ser a proposta deste post. Continuando... Mesmo com diferentes filosofias e formas de trabalho, essa variedade de grupos possui um paradigma em comum: A CONVIVÊNCIA COM O SEMI-ÁRIDO TUPINIQUIM. Isso por essência é EPISTEMOLOGICAMENTE contrário a histórica idéia de COMBATER A SECA, lutar contra a natureza. Nada a ver. Conviver com o lugar a qual se vive é aprender e construir alternativas de VIVÊNCIA, de convivência com as limitações do ambiente, noção  aplicável a todo e qualquer lugar da Terra. É enxergar as potencialidades postas e utilizá-las. Deveria ser claro, notório e praticado. Mas é aí que começa a merda... muuuita merda. Vamos lá:

No Brasil - e em alguns lugares TAMBÉM socialmente frágeis - convencionou-se utilizar da uma biltre e manipular noção de extrema pobreza sócio-ambiental sobre o Semi-Árido. Adjetivos do tipo "pobre de vida", "inóspito", "rincões" e "terra fodida" são historicamente utilizados (a primeira muito utilizada pelas pessoas espirituosas, a segunda pelos filósofos, a terceira pelos políticos e radialistas, e a quarta por alguns/mas imbecis  nas redes sociais). Era como se todos/as devêssemos correr de lá por causa dos fenômenos da natureza, a destaque para a seca. E muitos/as o fizeram. As pessoas que permaneceram e permanecem por lá nos provaram que é possível sobreviver neste suposto "lugar inóspito". Sofreram o "pão que o diabo amassou", mas o problema não foi ambiental, e sim social... e POLÍTICO. Uma estrutura social que mais lembra o Feudalismo que o Capitalismo se instaurou desde os primórdios da colonização portuguesa., com a idéia de que o interior deveria dar a carne para a elite canavieira do litoral, e o que sobrasse para os trabalhadores escravos desta. Latifúndio na veia! Essa foi a tônica durante muito tempo. Mas tinha o "além-gado", tinha gente por lá, pessoas. Hehehe, nós sertanejos temos antepassados, não viemos da cegonha (pelo que se escuta, é como se acreditassem nisso...). Dessas pessoas, tirem os latifundários e suas famílias, um ou outro profissional liberal (delegado, bancário, babão-mor do prefeito, prostituta vip... e o fiscal de tributos, claro...). Sobrou todo o restante! A grande maioria era "trabalhador/a da roça". Dessas pessoas, algumas eram/são muito engenhosas. Desenvolveram experiências práticas em seus cultivos próprios, com a nobre intenção de melhorar suas presenças em vida. Isso foi sendo passado por gerações e sendo otimizado a cada momento da vida social desses indivíduos. Os bancos comunitários de sementes, a infinidade de defensivos naturais, as barragens subterrâneas, CISTERNAS... "n" estratégias de CONVIVER com os limites impostos pela natureza. E não precisavam das bençãos do coronel, do padre e/ou do governo. Faziam com o pouco material que dispunham. Em paralelo a isso, os governos, TODOS ELES, cuidaram de dar mais poder ($$$) aos donos da bodega (aliás, da fazenda, que, afinal de contas, acaba sendo o dono da bodega). O cara tinha uma fazenda, grande, enorme, e por razões óbvias ($$$) era o dono do lugar e comandava tudo. Misture poder político, econômico e cultural e você tem uma uma sólida fossa intransponível. Um oceano de bosta.

Falando novamente de bons cheiros, voltemos às tais experiências práticas. Pois bem, com o passar do tempo essas idéias ganharam a atenção de pessoas bem letradas, teoricamente bem qualificadas e POLITIZADAS o suficiente, cientes de que toda a engenharia social predominante é montada para manter a estrutura social já mencionada, que sofreu mutações a partir do desenvolvimento do capitalismo in terra brasilis. Essa galera percebeu que com ORGANIZAÇÃO, PLANEJAMENTO E MOBILIZAÇÃO SOCIAL a coisa vai para a frente. Compreenderam que a história pode (e deve!) ser interferida. Que as "bençãos" dos eternos patrões não dão juízo de valor e não importam para a condução de suas vidas. Dessa ORGANIZAÇÃO, PLANEJAMENTO E MOBILIZAÇÃO SOCIAL nasceu a ASA, composta desses experimentadores e teóricos (intelectuais), com algumas novas experiências e conceitos. Da ASA nasceu um fantástico projeto, O PROGRAMA DE FORMAÇÃO E MOBILIZAÇÃO SOCIAL PARA A CONVIVÊNCIA COM O SEMI-ÁRIDO: UM MILHÃO DE CISTENAS). A idéia é construir um milhão de cisternas no semi-árido brasileiro e PROPAGAR TODA ESSA HISTÓRIA COM AS FAMÍLIAS BENEFICIADAS E COM TODA A SOCIEDADE. Nada aqui se mostra na TV...

O governo saca bulhufas dessa história. Portanto, nada melhor que um fórum bastante participativo no semi-árido como a ASA para tomar conta. Com toda a lógica já mencionada e detentora da tecnologia de produção da CISTERNA DE PLACA, A ASA multiplicou este conhecimento semi-árido adentro (ou seria afora???). Dai surgiram uma infinidade de pessoas qualificadas para construir as cisternas. Na base da pirâmide sócio-econômica isso se constitui num considerável choque. E a lição de cidadania se fortalece com o estágio de vivência que se tira daí. Todos participam do processo, do coordenador executivo do projeto à família beneficiada. Só que a ASA não fabrica dinheiro. O governo fornece o "dim-dim" pra coisa rolar. Uma atitude louvável, diria, nossos impostos sendo bem empregados e tal. Mas é justamente aí que temos outro problema, outra merda, outro oceano de bosta:

Nosso governo possui em sua composição pessoas que compreendem esta história política, militaram nela. Beleza, alguns mostraram quem na verdade são, usurpadores de mão cheia, lobos na pele de cordeiro (e isso é um insulto aos lobos e aos cordeiros!). Mas vamos falar dos bem intencionados... ainda existem por aí. Eles dividem sob uma razão nada proporcional o comando do governo com seres já lembrados ($$$). Esses caras continuam casando, batizando, cagando e andando com o poder político. A estrutura já dita não se alterou, pelo contrário, continuou a mesma. As pessoas ditas, os bem intencionados, fazem algo e aliviam as agruras do "Sisti", o monstro (apelido carinhoso dado por Raul Seixas). Como nossos monstros estão em baixa ultimamente precisam do "deus" mercado para sobreviver. Portanto, vamos matar dois coelhos de uma só vez! Matamos todas as perspectivas contrárias a nossa indústria (no caso, a indústria da seca) e socorremos os amigos (no caso, a indústria propriamente dita) da crise do capitalismo recente. Dessa última não me deterei por falta de saco e por ser de domínio público seus estágios de "estafa". É no mínimo bizarro (pra não dizer escroto) ver os comentaristas de economia nos telejornais falando que "o mercado não reagiu bem a isso ou aquilo outro". Soa humano. Se constitui num "ser" para eles... e assim é tratado. Um ser humano nos tempos de crise, que precisa ser remediado, ou uma entidade divina em tempos de "prosperidade".

Comecei o parágrafo anterior dizendo que o governo saca bulhufas. Melhor dizendo - e pior ficando, SACA ATÉ DEMAIS...




PS - Tem muita história aí no meio que daria mais um 500 posts... fico por aqui.

MINHA SOLIDARIEDADE AO TRABALHO DA ASA E A TODOS E TODAS QUE VESTEM A CAMISA DA CONVIVÊNCIA COM O SEMI-ÁRIDO!

quarta-feira, dezembro 21, 2011

Com a palavra (III)... Paulo Freire

Sua oratória e conteúdo por si só justifica, estritamente nesta entrevista, o registro. Todas as suas obras, pedagogias, do oprimido, da autonomia, etc, são reflexos dessa visão de mundo. Seu entendimento acerca das marchas é perfeito. Aliás, vale dizer, que não concordo com tudo o que rola nesta série, tudo o que nossos "gurús" pensam. Como nosso amigo abaixo, entendo que os processos são diferentes de pessoa para pessoa. Portanto posso eventualmente discordar de uma coisa ou outra dita por nossos/as amigos/as que pintarão por esta série. No entanto, procuro manter vivas as essências. Se há uma coisa que o homem aí tem é ESSÊNCIA.


Para os/as desavisados/as, lembro da total anarquia que é a sequência desta série. Comecei com Marcelo Nova, Renato Russo, depois Paulo Freire (!). O próximo?! Ihhh, não faço idéia...

Já rolou um tempo disso aí, a perspectiva governamental e da relação social eram outras. Porém, passados processos históricos, tudo permanece no ar.





domingo, dezembro 18, 2011

Momento Musical X

Morreu Ed Wilson. Não... não foi hoje ou ontem. Foi dia 03/10 e soube neste exato momento. O saudoso "tio" fundou o Renato e Seus Blue Caps junto aos seus irmãos, não por coincidência, Renato, e Paulo Cesar Barros. Foi um dos compositores máximos da Jovem Guarda, além de outros trabalhos, música pop afora. Mais um que se vai...



Anos Incríveis...


Lembro-me de ter sido, quando moleque, um fervoroso telespectador desse seriado. Morava em Mauá, Sampa. O ambiente de subúrbio fazia-me encaixar ao contexto. Talvez por isso não era de me identificar com novela. Salvo ótimas exceções, é sempre aquela história da periferia que no final das contas se mistura harmoniosamente com o high society, geralmente com uma pseudo-campanha de "salvem os doentes e as baleias", fato que a torna "social e ecologicamente responsável". Coisas da ideologia vigente, da tal "ditadura do pensamento único", vigente por essas bandas desde... desde... desde sempre.

Bom, o seriado em epígrafe nos traz variações particulares da infância e adolescência de um sujeito, o Kevin. Daí sua vida segue. Um jovem comum, fazendo coisas comuns. A beleza está nas sutilizas do cotidiano. Grandes coisas surgem...

São muitas lembranças soltas. Tempos que passam e corroboram o travamento da memória. Preciso assistir novamente. A abertura, essa sim, segue intacta nas lembranças... E logo com With A Little Help From My Friends, dos Beatles, extraordinariamente interpretada por Joe Cocker, que a imortalizara em Woodstock.


Agradecimentos ao amigo Luis Fernando Mifô (Jocivan) por proporcionar tal achado na mente.